Trabalho remoto


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Trabalho remoto: os prós e contras de uma prática que chega com tudo no Brasil

Diretores e colaboradores da Nuvem Shop – primeiro app de plataformas e-commerce de América Latina – compartilham suas experiências. Aliás, conheça as dicas de André Brik, especialista em trabalho à distância, criador do site Go Home

A partir da revolução industrial, os artesãos que trabalhavam em suas casas, ou em pequenas oficinas próximas às mesmas, começaram a viajar até as fábricas, onde passavam o dia longe de seus lares. Com o passar das décadas e o surgimento de novas tecnologias,tem ganhado força no mercado o trabalho à distância, ou home office que, junto com o “nesting” – ou a tendência de viver dentro de casa, a qual se baseia em priorizar a existência portas adentro, deixando um pouco de lado a vida social –, traz de volta a  valorização do “estar em casa”.

Obviamente, não se trata de nos convertermos em cavernícolas, mas sim da possibilidade desempenharmos nosso trabalho de casa, com a mesma – ou até maior – produtividade, graças aos avanços da tecnologia que permitem trabalhar em plataformas colaborativas e/ou fazer vídeos conferências entre várias pessoas que estão em diferentes países do mundo.

O fato de ficar em casa para trabalhar implica em grandes mudanças de paradigmas, tanto para os trabalhadores quanto para as empresas que permitem esta prática, que rompem com características antes associadas à ideia de “estar trabalhando”: ir ao escritório, chegar com antecedência, cumprir um horário, não fazer atividades pessoais dentro deste horário, entre outras.

Trabalhar a alguns metros da cama, em horários muito flexíveis que se ordenam em torno de alguma videoconferência, ou a gosto do trabalhador, e intercalar durante o dia momentos dedicados à vida pessoal com outros de concentração no trabalho pode soar perturbador para os entusiastas dos estilos mais tradicionais.

No Brasil, o trabalho remoto é uma tendência que vem ganhando forças. Um estudo realizado pelas empresas Dell e Intel, constatou que os brasileiros estão entre os que mais trabalham de casa na América latina. 57% dos entrevistados afirmam que realizam tarefas profissionais de casa em algum momento da semana, sendo que 24% o fazem todos os dias.

André Brik, especialista em trabalho remoto e criador do site Go Home, assinala que “existe uma ideia conservadora de que é preciso ir para o escritório todo dia pela manhã, com a sua maleta, para ser um profissional digno e sério. Quem faz isso de casa muitas vezes é visto com desconfiança por chefes, familiares e amigos”.

Para o profissional, esse arcaísmo cultural também pode gerar um certo mal-estar. Segundo Brik, algumas pessoas se sentem inseguras ao trabalhar de casa, com a sensação de estarem fazendo alguma coisa errada. “Eu mesmo demorei muitos anos para me livrar de uma certa culpa por poder ir ao supermercado numa segunda-feira à tarde, por exemplo”, diz o publicitário, que trabalha em casa desde 2003.

Conhecer a experiência em primeira pessoa de diretores e integrantes de uma equipe que trabalha em relação hierárquica, mas fazendo trabalho remoto, pode ser muito útil para entender os prós, os contras e as questões às quais devemos estar atentos ao implementar o home office.

Na Nuvem Shop, primeiro app de plataformas de ecommerce na América Latina, os colaboradores trabalham e se adaptam a essa dinâmica, enfrentando os desafios e aproveitando os benefícios.  

De São Paulo, Alejandro Vázquez, Co-fundador e CSO da Nuvem Shop, assinala que o maior desafio é desenvolver processos de comunicação e trabalho que não requeiram a presença física das pessoas. Isto inclui também assegurar-se de que existam espaços informais onde as pessoas também possam interagir.

Nicolás Loreti, CFO da Nuvem Shop, morando em Buenos Aires, enfatiza: “Manter todos na mesma conversa é algo que soa fácil mas não é tão simples. Muitas vezes há conversas informais, onde se implementam certas ideias e as pessoas que se encontram de forma remota não as recebem. Nesses casos, deve-se ter atenção e redigir notas para depois transmiti-las através de canais formais para que todos mantenhamos uma comunicação similar”.

Segundo os diretores, a Nuvem Shop oferece a possibilidade de trabalho remoto para somar os melhores talentos à equipe, sem necessidade de que se encontrem em Buenos Aires ou São Paulo, onde se situam seus escritórios.

“Também fazemos porque nos permite ser mais produtivos: o tempo que as pessoas perdem viajando é ridículo e faz com que não possamos aproveitar nossas horas ao máximo. Além disso, ganhamos muita flexibilidade. Por exemplo, graças a esta possibilidade, hoje uma falta de energia ou uma greve de transportes públicos não afeta o trabalho”, reforça Vázquez.

Para manter uma boa dinâmica de home office, os especialistas da Nuvem Shop comentam que se deve atentar às práticas positivas e aos obstáculos:

Positivas

Negativas

 

-       Ter regras claras para cada canal de comunicação (em qual situação usar e-mail, telefone ou chat).

-       Usar uma ferramenta para agendar reuniões/atividades e dar visibilidade para toda a equipe sobre esta agenda.

-       Ter um espaço de trabalho cômodo (mesas, cadeiras, etc.) onde não haja interrupções para poder se concentrar ou ter uma reunião.

-       Uso de ferramentas de altíssimo nível e contar com uma (ou mais) conexão muito sólida de internet.

 

-       Trabalhar da cama ou de pijamas. Deve-se criar uma rotina como se fosse ao escritório.

-       Não separar os momentos de trabalho com outros momentos do dia a dia. Embora uma startup demande um ritmo de trabalho acima da média, é importante saber separar cada momento do dia.

-       Não ter um espaço claro de trabalho diferenciado do resto da casa, não se isolar de distrações enquanto está trabalhando.

Danniela Karam é Brand Leader e Iván Kljenak é Product Engineer. Enquanto ela trabalha de Salvador, Bahia, seu companheiro o faz de Viena, Áustria. Por sua vez, na mesma empresa, Nicolás Engler desempenha a função de User Interface Developer desde Santa Fé, Argentina e Lucas Mendes trabalha como Product Architect em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Pela diversidade de lugares, parece que estamos falando de um jogo de tabuleiro para aprender geografía, mas não. Trata-se de companheiros que trabalham para a mesma empresa, por mais que alguns deles se conheçam apenas virtualmente.

Cada um de seu canto do mundo defende o trabalho remoto:

“Trabalhando remotamente eu consigo ter muita concentração e produtividade, e também posso estar perto do meu filho quando for necessário. Mas acho que não é todo o mundo que pode trabalhar assim. Tem muito a ver com a personalidade e convicção das pessoas”, fala com total sinceridade Danniela.

Iván o recomenda “porque estou contente de poder seguir trabalhando enquanto estudo fora. Me alegra que o trabalho não seja um impedimento para alcançar outros objetivos”.

Nicolás completa: “Embora acredite que nem todos estão preparados para trabalhar de forma remota, me parece que é uma experiência que todos deveriam provar. Alguns, talvez encontrem um meio termo entre remoto e in-house (por exemplo, 3 dias de remoto e 2 dias de in-house)”.

Por último, Lucas recomenda o trabalho remoto, mas faz um alerta: “o mesmo exige disciplina e foco. Portanto, uma das principais recomendações é que se for trabalhar de casa, tenha um espaço que seja dedicado a isso e certifique-se que as pessoas que convivem com você respeitem esse espaço”.

Finalmente, como destacou Vázquez, sem dúvidas o trabalho remoto implica um desafio cultural muito grande para o qual muitas pessoas – empregados e empregadores – ainda não estão preparadas e, por isso, vão levar tempo para assimilar que se pode ser muito mais produtivo com essa dinâmica de trabalho.

Seguramente, a tendência do trabalho remoto seguirá crescendo e aos poucos se tornará uma prática habitual nas empresas. O importante é ir preparando o terreno para que cada vez mais empresas possam implementar esse formato com responsabilidade e objetivos claros, tomando como exemplo as pessoas que já o incorporaram como parte da dinâmica de trabalho diário.

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